Mais previsões: Meteorologia 25 dias

PUBLICIDADE

Acampadas contrariam PSP e dão conta de 57 feridos em Lisboa e no Porto

...


                    Acampadas contrariam PSP e dão conta de 57 feridos em Lisboa e no Porto
Acampadas contrariam PSP e dão conta de 57 feridos em Lisboa e no Porto (Foto: Reprodução)

A Acampada em Lisboa denunciou, este domingo, que "dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela polícia de intervenção", que recorreu a "cães e balas de borracha" para "encurralar" e provocar "medo" a quem estava no local. Deu ainda conta de que "mais de 20 [feridos] foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada", contrariando os números avançados pelas autoridades, que registaram 11 feridos, nomeadamente cinco em Lisboa e seis no Porto. A organização do movimento pela habitação no Porto já tinha mencionado a existência de 37 feridos na cidade, dos quais sete em estado grave, após a carga policial para desocupar a Praça D. João I. No total, tratam-se de 57 feridos.

 

"Na madrugada de hoje, 25 de outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela polícia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada. Depois, fomos perseguidos durante horas pela baixa da cidade - Praça da Figueira, Martim Moniz, Rua da Palma, Mouraria, Intendente, Graça - com cães e balas de borracha, mostrando que o objetivo não era apenas tirar as nossas tendas do Rossio, mas sim encurralar-nos e fazer-nos sentir medo. Neste momento, encontram-se cerca de 30 pessoas detidas", contextualizou, num comunicado divulgado na rede social Instagram.

O movimento adiantou que, "depois de uma manifestação que reuniu milhares de pessoas em marcha, entre o Marquês de Pombal e a Praça do Rossio, a Acampada reergueu as suas infraestruturas, entre a montagem de mais de 100 tendas, programação cultural gratuita, realização de assembleia e cantina popular pronta a servir comida a quem viesse tomar o Rossio enquanto lugar simbólico de uma luta pelo acesso à habitação em Portugal".

"Para muitas das pessoas que aderiram a esta forma de protesto e reivindicação, a tenda transcende já o carácter simbólico: trata-se da solução possível para a qual estamos a ser empurradxs quando deixamos de poder pagar a renda de uma casa ou de um quarto. Os primeiros dias da semana passada mostraram uma capacidade de organização sem precedentes, tanto em Lisboa como no Porto e nas demais cidades que se juntaram às Acampadas através de outros processos reivindicativos: afinal a cidade pode voltar a pertencer-nos. Hoje, uma vez mais, essa infraestrutura foi destruída quando, no final da manifestação, a polícia optou por agredir brutalmente parte dos seus participantes, que procuravam pacificamente dar seguimento à sua forma de protesto. O artigo 45.° da Constituição Portuguesa consagra o direito de reunião e manifestação e este não se trata de um acampamento recreativo, turístico ou desportivo, mas de uma manifestação política, protegida não só pelo supracitado artigo mas também pelo 37.° artigo da Constituição", frisou.

Nessa linha, a organização concretizou que "a polícia, a mando da classe e projeto político que orienta a sua ação, oficializou a violência deliberada sobre manifestantes pacíficos, na tentativa de impedir a continuidade das suas justas reivindicações", o que "apenas revela que essa mesma classe política e os seus lacaios têm medo". "Perante isso, reafirmamos que cá continuaremos, a dar corpo a uma luta imprescindível pelo direito a ter um teto", asseverou.

De notar que, no último balanço divulgado, a Polícia de Segurança Pública (PSP) disse ter conhecimento de 11 feridos no rescaldo as intervenções realizadas durante a madrugada em Lisboa e no Porto.

Num comunicado enviado à Lusa por volta das 5h45, as autoridades disseram que, até então, havia cinco feridos em Lisboa e seis no Porto, entre eles três polícias e oito manifestantes.

Um primeiro balanço, divulgado às 4h20, apontava para sete feridos, dos quais cinco em Lisboa e dois no Porto. Entre os feridos havia três polícias e quatro manifestantes, "sendo de salientar que um dos polícias foi ferido por um canídeo de um manifestante em Lisboa", indicou a PSP.

A PSP especificou que deteve 31 pessoas por desobediência, 25 em Lisboa e seis no Porto, sendo que irão ser todos ouvidos pela autoridade judiciária competente na segunda-feira.

Foram removidas e apreendidas 171 tendas e estruturas de acampamento pelas Polícias Municipais, das quais 117 em Lisboa e 54 no Porto.

AO MINUTO: PSP avançou sobre manifestantes; Vários feridos e detidos

Acompanhe aqui AO MINUTO os desenvolvimentos nos protestos contra a crise da habitação.

Notícias ao Minuto | 07:43 - 25/10/2026