Acampada do Porto vai votar reunião com autarca no Rivoli
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Cerca de 200 pessoas cantavam enquanto aguardavam o início de mais uma assembleia popular, na Praça D. João I, no Porto, na qual vão votar se aceitam reunir-se com o autarca da cidade no Teatro Rivoli.
Pelas 20:00, a praça dividia-se entre quem cantava, ao centro, quem esperava, nas laterais, e aos pés do corcel que do lado esquerdo "vigia" a Praça preparava-se o jantar a ser servido na cantina comunitária.
"Tenho vindo todos os dias. Daqui a dois meses tenho de deixar a minha casa, nas Antas. Estou a pagar 600 euros por um T1, o senhorio quer vender e não sei para onde vou", disse à Lusa Manuel António, 34 anos, empregado de mesa de um café da cidade.
As histórias acerca dos atuais problemas da habitação são comuns: "A nossa senhoria diz que pagamos pouco, que se pagarmos mais 300 euros podemos ficar, se não, temos que nos pôr na alheta", contaram António e Sara, 33 e 35 anos.
O casal paga 700 euros por um T1 "miserável e húmido" perto do mercado do bolhão.
Pela praça comenta-se a hipótese avançada de que o movimento, que desde o dia 10 de outubro contesta os elevados preços da habitação, vai reunir-se com o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, no Teatro Rivoli, mesmo ao lado da praça da acampada.
"Não é verdade que esteja decidido reunir com ele lá. O que se decidiu foi votar essa possibilidade hoje", explicou fonte do movimento acampada do Porto.
Pelas 20:10 calou-se o coro, preparou-se o microfone, cheirava a comida e a assembleia ia começou com as habituais intervenções.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.