Acampada do Porto distribuiu 2.100 refeições quentes em seis dias
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A Acampada do Porto, que tem uma cantina popular a funcionar todos os dias na Praça de D. João I, distribuiu 2.100 refeições quentes entre 29 de outubro e 04 de novembro, anunciou hoje o movimento.
O balanço foi feito durante a assembleia popular, que teve inicio hoje às 20:30, após ter sido distribuída pelos manifestantes a primeira edição do "Tendão", um jornal da acampada que dá conta da distribuição de refeições.
De acordo com o movimento, entre 29 de outubro e 04 de novembro foram também prestados 130 cuidados médicos, realizados 38 programas culturais (entre workshops, concertos, momentos desportivos e atividades para crianças), 17 debates e rodas de conversa, foram feitas 53 intervenções durante os períodos de microfone aberto e foram montadas 45 tendas.
Os presentes na Praça de D. João I aprovaram por maioria "permanecer" neste espaço e, pelas 22:00, estavam montadas 70 tendas e vários espaços com toldos para as pessoas se abrigarem quando chover.
A mesa da assembleia popular revelou ainda às cerca de 2.000 pessoas presentes que a 27 de maio a empresa municipal Ágora lançou um concurso para a "locação de geradores, quadros elétricos, infraestruturação elétrica, ligações à rede e meios de elevação para o ano de 2026", cujo caderno de encargos, consultado pela Lusa, previa que uma pista de gelo fosse instalada no Jardim da Cordoaria e Largo Amor de Perdição e não na Praça de D. João I.
Várias pessoas vaiaram a mudança de localização da pista.
Na sexta-feira, a Câmara do Porto anunciou que ia ser a Praça D. João I a ter uma pista de gelo e que os trabalhos de montagem arrancam a 13 de novembro.
Em resposta à Lusa, o município frisou hoje que "a decisão de colocar uma pista na Praça D. João I foi anterior à realização das várias manifestações pela habitação" e que "a opção de voltar a integrar a Praça D. João I na programação de Natal foi desenvolvida internamente no decurso da preparação do programa, tendo a reunião de negociação com as associações representativas do setor decorrido a 06 de outubro, na sequência de uma convocatória enviada a 24 de setembro por parte da Ágora – Cultura e Desporto do Porto".
Os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades.
A atuação da PSP para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, levou a dezenas de detenções e provocou dezenas de feridos, motivando críticas de vários quadrantes.
O Ministério Público pediu entretanto ao Tribunal Constitucional para avaliar a constitucionalidade da norma de 1974 que estabelece que uma manifestação tem como limite horário as 00:30.
Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.