Acampada de Lisboa acusa Nuno Melo de "insinuação xenófoba"
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A Acampada de Lisboa repudiou as declarações do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, sobre o sotaque de manifestantes pela habitação, considerando que constituem uma "insinuação xenófoba".
Numa publicação divulgada na quarta-feira, 04 de novembro, nas redes sociais, o movimento defendeu que "não existe um sotaque ou tom de pele legítimo para reivindicar uma casa".
"A habitação é um direito. Protestar também. E nenhum dos dois tem nacionalidade", acrescentou a Acampada de Lisboa.
Na mesma publicação, o movimento considerou que "a perseguição a pessoas migrantes e racializadas" está ligada à repressão de quem luta pelo direito à habitação, acusando o Governo de recorrer a "ameaças, intimidação e discursos xenófobos" para silenciar os protestos.
A Acampada afirmou ainda que não permitirá que a nacionalidade ou a condição documental sejam utilizadas contra a solidariedade e a organização popular.
A reação surge na sequência de uma entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, a 21 de outubro, na qual Nuno Melo considerou "curioso" o sotaque de alguns porta-vozes das acampadas pela habitação, questionando se os sotaques "de outras paragens" não significariam que a crise da habitação teve origem no "descontrolo" da imigração ou que os protestos seriam importados.
Os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades.
A intervenção da PSP para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.
Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.