"A polícia não tinha outro caminho se não fazer o que fez", diz Ventura
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O presidente do Chega, André Ventura, considerou, este domingo, que "a polícia não tinha outro caminho se não fazer o que fez, repor a legalidade e repor a ordem", no rescaldo da ação policial contra os manifestantes em Lisboa e no Porto. Além de ter condenado os "infiltrados pela extrema-esquerda e [...] alguns arruaceiros internacionais e nacionais", que alegou que "estavam a provocar deliberadamente, de forma intencional, as autoridades para que este momento chegasse", o parlamentar criticou ainda o primeiro-ministro pelo silêncio dos últimos dias, responsabilizando-o por "um país que anda completamente à deriva".
"O país viveu, na última madrugada, um conjunto de episódios de ação policial para a reposição da ordem pública que não podiam deixar de acontecer. O país, os seus centros urbanos, não podem ficar à mercê da desobediência de um conjunto muito minoritário de vândalos e provocadores sobre os moradores, sobre as forças da ordem, sobre as instituições do país. A polícia não tinha outro caminho se não fazer o que fez, repor a legalidade e repor a ordem", contextualizou, num vídeo a que o Notícias ao Minuto teve acesso.
E atirou: "Aqueles partidos, incluindo a irresponsabilidade do Partido Socialista, que se colocaram ao lado daqueles que estavam a provocar, a desobedecer, a incumprir a lei, apesar das repetidas tentativas da polícia, pela via da conciliação, da conversação e do diálogo, de repor a ordem, esses partidos estão a fazer um enorme dano à nossa democracia, às nossas instituições e à nossa segurança. O que se passou nos últimos dias foi inaceitável."
Ventura alegou ainda que "uma minoria, sobretudo infiltrados pela extrema-esquerda e por alguns arruaceiros internacionais e nacionais, estavam a provocar deliberadamente, de forma intencional, as autoridades para que este momento chegasse", tendo defendido que "este é um daqueles momentos em que as autoridades não se podiam nem deviam acobardar, em que o Estado não podia nem devia acobardar".
"Por isso, ao contrário destes partidos, o Chega coloca-se incondicionalmente ao lado das nossas autoridades, ao lado da polícia e saúda o esforço de garantia da ordem e de reposição da ordem que estes homens e mulheres ontem fizeram. É preciso não esquecer que muitos destes polícias, talvez até mais estes polícias, sabem o que é o custo das casas, o preço abominável das rendas, a dificuldade de obter habitação e muitos deles vivem-no na pele", sustentou.
O parlamentar asseverou que "a causa da habitação é uma causa que tem que ser de todos e pela qual o Chega tem lutado muito, evitando rendas a subir descontroladamente, evitando e obrigando o Governo a não avançar com cauções ilimitadas, garantindo a proteção daqueles que são mais velhos e têm de ter uma casa".
"Tudo isso é o que tem que ser feito, é o que estamos a fazer, mas não é ocupando, destruindo monumentos, insultando as instituições, dizendo que se quer roubar os tribunais, destruindo o património e agredindo a polícia que vamos ter qualquer ganho de causa", disse.
O líder do Chega argumentou também que "quem se coloca hoje ao lado daqueles provocadores está a colocar-se contra a ordem, contra o Estado de Direito, contra o país" e que o seu partido "nunca aceitará fazer isso".
"Por fim, porque esta é uma questão relevante, onde é que anda o nosso primeiro-ministro? Num momento de confrontos, de conflitos, num momento em que é preciso resolver uma causa e uma situação tão importante como a carência da habitação e o aumento do custo de vida das pessoas, onde é que temos o líder do nosso país? Não se sabe dele há uma semana, não diz nada, não lidera, não dá a cara, é tudo aquilo que um primeiro-ministro não devia fazer", acusou.
Ventura concretizou que o Chega, "enquanto partido líder da oposição, faz aquilo que o Governo devia ter feito", nomeadamente "saudar as forças democráticas de segurança, saudar as nossas polícias, dizer que vamos trabalhar no Parlamento para resolver o problema da habitação e que vamos fazê-lo com medidas concretas e reais para as pessoas, não para o mercado, para as pessoas, mas que também exigimos ter um líder que esteja à frente das instituições, que não vire a cara e que nestes momentos difíceis esteja para responder pelo país".
"Nada disto tem feito Luís Montenegro. Tem-se escondido, o PSD tem-se escondido e esta é uma das causas, mais uma das causas, de um país que anda completamente à deriva nestas últimas semanas. Não pode ser, senhor primeiro-ministro. É primeiro-ministro para liderar, é primeiro-ministro para dar a cara, é primeiro-ministro para resolver os problemas, e isso não tem acontecido", rematou.
De notar que a Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou, à bastonada, a multidão que se manifestava pelo direito à habitação, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão. No total, as organizações dos movimentos deram conta de 57 feridos, contrariando os números avançados pelas autoridades, que disseram terem registado 11 feridos nas duas cidades.
As ordens da PSP no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, começaram às 00h30, quando, segundo as autoridades, as concentrações deveriam ter terminado. Contudo, a intervenção da Unidade Especial de Polícia só aconteceu cerca das 2h00 (hora após a mudança para o horário de Inverno).
No último balanço divulgado, a PSP disse ter conhecimento de 11 feridos no rescaldo as intervenções realizadas durante a madrugada em Lisboa e no Porto.
A PSP especificou que deteve 31 pessoas por desobediência - 25 em Lisboa e seis no Porto -, que serão ouvidas pelas autoridades judiciárias na segunda-feira. Além disso, foram removidas e apreendidas 171 tendas e estruturas de acampamento pelas Polícias Municipais, das quais 117 em Lisboa e 54 no Porto.